Você me ensinou a gostar do inverno, me mostrou o lado bom do frio, que não aquece mais conforta.
Um céu diferente, sem estrela nenhuma que eu pudesse observar, mas um céu tão cheio de nuances, que me perco tentando desvendar todos os tons de cinza que se escondem atrás de cada nuvem.
A chuva é boa, é chuva de verdade, não é como chuva de verão, que quando eu abria a porta já tinha ido embora, deixando apenas o cheiro de terra molhada que durava pouco. Agora posso sentir a chuva na minha pele.... Cada gota, sem precisar ser breve. É bom.
Você me dizia que o mar também gosta do inverno, e que as ondas ficam revoltas no verão, porque ele se sente contrariado.
Olhando o mar agora, eu não entendo, mas sinto e isso basta, sinto as ondas orquestradas pelo vento gelado e suave, parece música, na mesma sintonia.
Eu ainda consigo ouvir a sua voz, dizendo que não é correto dizer que o mar é domado pelo vento em noites gélidas.
Existe doação, amor genuíno não doma ou é domado, se permite, levando e sendo levado.
Eu ainda tenho areia nos meus pés, me faz lembrar que algum dia pisei num lugar seguro.
É inverno outras vez, mas eu tenho medo de sentir o vento sul soprar meu rosto novamente, tenho medo de sentir falta de ar, medo que meus pulmões não sejam fortes o bastante para passar por tudo isso, como meu coração passou uma vez, e ficou com sequelas.
Eu não tenho imunidade para outro inverno.